22 de ago. de 2010
15 de ago. de 2010
ALGEMAS

ALGEMAS
Thiers R >
Agregam-se os sonhos trazidos na corrente
sou animal, bicho, saliva
na magnitude desta loucura que me atormenta
sou caça, carcaça
prazeres, sexo, loucura, devassidão
instrumento de tortura
Ferrara volta à minha cabeça..
bordados na renda do mar, castelos desmontam-se
para que servem se neste capítulo
sou apenas o vassalo, o ladrão?
pele estúpida que alimenta teu prazer
quando tuas vestes são de princesa
cabelos tingidos de vermelho, olhos, boca
e um perfume que entorpece
salivo sim, como não?
perco a razão, amaldiçoo todos os trajetos que me levaram a ti
Ferrara.. naquela praia o mar desenvolve a partitura
nem uma vírgula, nem um compasso
um resquício ou uma nota da sinfonia
que o mestre construiu
saístes do mar, a roupa colada ao corpo, a boca faminta
cheiravas à rosas vermelhas como teus cabelos
devoradora fome sensual
curvam ondas etéreas
pois fostes construída por minhas necessidades
amo-te sem precedentes
abri as portas
deixei que o vento entrasse e arrancasse
toda a vulnerabilidade deste encontro
août 2010>
> > >
3 de jul. de 2010
PRAZER SEXO E CARNIÇA

PRAZER SEXO E CARNIÇA
Sob efeito de Baudelaire...
Thiers R >
Rugia o sol em meu rosto afagando com dedos arfantes
a manhã ainda tonta
deitados sob o luar bocejante (surreal sem dúvida!)
comentávamos o que acontecera
após a leitura de Baudelaire
por que a carniça teria mexido tão intimamente
ao ponto de vomitares leitoso lençol?
O cheiro abominável ardia em teu peito
eu o amaldiçoei por tê-lo trazido
para nossa cama
foi uma ação repugnante.
“... Zumbiam moscas sobre o ventre e em alvoroço, dali saiam negros bandos de larvas, a escorrer como um líquido grosso por entre esses trapos nefandos....”
Ah! Meu poeta
como conseguistes nos idos de 1800
transcrever passagens tão fantásticas?
genial!
o estômago frágil de Flávia
sucumbia às palavras; mas eu delirava
quanto mais lia, mais loucas ficaram
as travessuras na cama
eu assimilava a mistura dos prazeres
eu, o poeta e um corpo feminino em pleno transe
enquanto te lambia por inteiro
gemias, e no som de minha voz
Baudelaire dizia:
“... Dize à carne que se arruína, ao verme que te beija o rosto que preservei a forma e a substância divina...”
Gozei! gozei literária e fisicamente
eu era o verme que te beijava
acariciando tuas formas arredondadas
senti-me divino naquele instante
enquanto eu te gozava menina
teu estômago embrulhava
fazendo de nosso amor
uma porção erótica
de porra e vômito.
>>>>
3 de jun. de 2010
CRUCI’FIXO

CRUCI’FIXO
(Absurdo diálogo de uma noite fria)
Thiers R >
Atrás das árvores
o corvo infame
remexia umbrais
a madrugada vadia
urdia em gritos fatais
assim ouvi os teus ais
suspiros d’angustia fina
febril lâmina de corte em riste
a escrivaninha, o pente, fios de cabelos soltos
a pena curvada n’alvura
branca e chorosa da paz
desencanta frente ao corvo
sentado no busto de Atena
olhava-te, nada mais
lá fora a ventania
buscava a chuva do dia trazida por temporais
o corvo d’olhar firme criava a atmosfera
na fenda da janela
fúnebre, como jamais
teu corpo vivo jazia na parede daquele dia
clamando por vermes banais
agourenta, a cena bebia
no meu temor sucumbia
por isto estremecia
ó mestre, a palavra tu me deste
mas esta ave
aberta em cruci’fixo
assombrava
a treva aparecia
vestida em roupa fina
uma ave de rapina
Allan Poe, desculpe-me
o clima, atormenta o poeta
de outros tempos
olhando a boca
pasmo
ainda ouço teus ais
vejo a treva
gemer gritos
perjúrios, olhares malditos
arrancar do frio inverno
todos os manuscritos
escravizado ao mito
sinto-me
quando te fito
lembro-me das tuas palavras
vestindo o roupão negro
encolho-me de medo
pálido, branco a repetir
no CD estes versos
assustadores que tais
n’ língua do demônio
sinto
isto não é sonho, é tormento
olhar o corvo preto
à sombra dos teus umbrais
em vestes transparentes
surgir com pés descalços
sob o chão do nada mais
murmurar por entre dentes
outra vez o
nunca mais
>
5 de mai. de 2010
SOMaS
5 de abr. de 2010
VESTÍGIOS & PAIXÕES
.jpg)
VESTÍGIOS&PAIXÕES
Thiers R >
o chão do tempo
vestia esperas diluindo azuis
resquícios qu’inda tenho à mão
perfume de boca colada
cigarro azedo
noite a zunir
evaporando novembros
pintados no teu olhar
o vento balanç’a saia
nela me visto
meias cobertas de negro
aquecem u’ vapor frio
vermelhas unhas riscam meu corpo
enquanto me entrego
enfraquecido de sorrisos
no fetiche esquálido e soturno
daquele inferninho
mordi teu pescoço
queria beber-te
fui teu em cada gole
em cada baforada
em cada corte
em cada mordida
suor duma noite que se perdia
dentro do amanhã
sopro a desmanchar máscaras
desfeitas no mijo da privada.
> > > > >
13 de mar. de 2010
Витоша

Витоша
Thiers R>
Rio de pedra
olhar de fogo
luz de treva
desejo de gente
em tuas paredes brancas
abraço paixão
nu, este peito se entrega
verbaliza
das tuas coxas
a boca entreaberta flui
sou teu
em língua
em dissecação
as rosas
o perfume das rosas
embriagadas de cor
estas mesmas rosas
pétalas febris
a tocar
a ausência das flautas
dum romance inacabado
de todas as minhas dúvidas
sinto o frêmito que rodeia
negro mar que te busca
>2010
.
1 de mar. de 2010
AUSCHWITZ’Z’Z’Z’Z
RESTOS DE ROUPAS, CABELOS E SAPATOS DO CAMPO DE AUSCHWITZ
AUSCHWITZ’Z’Z’Z’Z
Thiers R >
Defeca o nazismo
n’olho triste da agonia
mais uma flor abatida
mais um suspiro caído
“...o trabalho liberta....”
sangra o sonho entre ratos
“...o trabalho liberta..”
a tosse seca
o monóxido
o gaz
a fadiga
jaz o semblante
pousa a mosca e rouba
...mais um sorriso se perde..
“...o trabalho liberta...”
entre ossos
dorme o livro
poeira de sentimentos
vergonha de existência
farpa que arranha
penetra e inflama
instantes de felicidade..
> > > > > > > > > >
27 de fev. de 2010
V E N E Z I E I
Eu mereço! Este foi meu primeiro pensamento ao sair do Brasil com alguns euros e um cartão VTM.
Fui buscar o mundo(ainda estou buscando pois que retorno dia 03/03/2010).

VENEZIEI
Thiers R >
Lentamente chorou o dia
luva branca de raízes profundas
lentamente
sorri farsante
n’alma aguda de meus desejos
nasce o mergulho das dores
saúvas e pensamentos
vai meu barco
pega teu sonho
perde o caminho
leva-me
o dia abriu-se
entrecortado
o mar retraiu
a linha d’aurora
brotou pálido cílio
penso:
a peste se foi
o silêncio guardou-se
fluí teu regaço
colei minha boca
engoli saliva
entreguei-me ao sonho
Veneziei
>> > > > > > > > >
Fui buscar o mundo(ainda estou buscando pois que retorno dia 03/03/2010).
VENEZIEI
Thiers R >
Lentamente chorou o dia
luva branca de raízes profundas
lentamente
sorri farsante
n’alma aguda de meus desejos
nasce o mergulho das dores
saúvas e pensamentos
vai meu barco
pega teu sonho
perde o caminho
leva-me
o dia abriu-se
entrecortado
o mar retraiu
a linha d’aurora
brotou pálido cílio
penso:
a peste se foi
o silêncio guardou-se
fluí teu regaço
colei minha boca
engoli saliva
entreguei-me ao sonho
Veneziei
>> > > > > > > > >
29 de nov. de 2009
RETICÊNCIAS
Thiers R>
Uma folha partida
uma canção permitida
uma dor
pensamentos
dúvidas
desejos
a voz
retém-se calada
aguarda
escurece
os’mistérios aumentam
sussurros
olhares
toques
absurda interrupção
penetr’a língua
passei’a nuca
respiração
pára o tempo coagulado n’ouvido
treme a garganta
mãos
já não sei o que fazer com elas
próximo ao teclado
reclamas
sem medo aperto
reticências......
>
CLIQUE NO TÍTULO: RETICÊNCIAS - PARA ASSISTIR O VÍDEO
Uma folha partida
uma canção permitida
uma dor
pensamentos
dúvidas
desejos
a voz
retém-se calada
aguarda
escurece
os’mistérios aumentam
sussurros
olhares
toques
absurda interrupção
penetr’a língua
passei’a nuca
respiração
pára o tempo coagulado n’ouvido
treme a garganta
mãos
já não sei o que fazer com elas
próximo ao teclado
reclamas
sem medo aperto
reticências......
>
CLIQUE NO TÍTULO: RETICÊNCIAS - PARA ASSISTIR O VÍDEO
20 de ago. de 2009
SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO

SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO
Fabrício Queiroz e Thiers R >
Eu vejo esqueletos em fôrma de gente;
e Vejo, tão precisamente quanto a fome;
o pé de gangorra que martiriza o doente:
Não há sonetos que cantem à sua colheita.
Não há estrelas que presenciem a cena
desta tosse seca que sacode pulmões;
os olhos tristes são poços fundos
vazios, vazios, a pedir água:
pinga na testa a resposta esquartejada,
seca o sertão esturricado na mão.
Seca a nascente do rio em bolor,
a terra elimina seu último transpiro;
os gravetos varrem o chão
levantando uma poeira que demora a sentar:
espinhaço curvado ao chão,
boca vermelha do barro.
E a dor sempre a dor a cantar amassando o sangue que agora começa a pingar
Grita a voz escassa dentro do pau oco, gritam os dedos curvados a marejar o chão.
> > > > > > > >
11 de jul. de 2009
LINHAS DE RACIOCÍNIO

LINHAS DE RACIOCÍNIO
Thiers R >
Antropofágica a utopia olha-me, agita as vestes,
exala channel e no salto vermelho de bico fino,
pisa-me. Nossa luta é corporal, nos mordemos.
Ela com suas verdades e eu com meus desejos.
Virulento o mundo pára.
Os relógios se esfaquearam sob esta hora imprecisa.
Com a palma da mão cortada, seguro o
tempo e digo: "- Utopia de ontem, eras somente um CD que se dizia novidade".
Afinal o tempo anda mais rápido do que nossos pensamentos.
Afagando a pele rosada, a superfície lisa, admirando o brilho do olhar,
penso: "- dentro de cada
invólucro, habitam essências, vozes dos pensamentos, dizeres que não se perdem.
Penso no mofo, na árvore partida, nas rachaduras do tempo. Penso no rádio, no
gramophone...penso.
"- Preciso cuidar-me, beber na fonte da sabedoria, acariciar meu ser."
Nas garras da utopia, unhas pintadas descascam e o tempo ri.....ri de gargalhar.
o tempo pinta quadros e eu leitor; rabisco estas linhas.
> > > > >
3 de jul. de 2009
ISA GRIS
29 de jun. de 2009
ENTRE VERSOS, VERBOS E VERMES

ENTRE VERSOS, VERBOS E VERMES
Thiers R > & Max da Fonseca
.
.
Na faca abro caminho
corto a mata
eles gritam
mata!
de cima abaixo vem o corte
qua
se - ver tical
di-vi-di-do
lembro-me de Dylan
sim, o Thomas:
.
"...para os amantes seus braços
que enlaçam as dores do século..."
.
Com voz rouca grito
- fui consumido por vermes -
poderosos vermes do asfalto
desfaleço e procuro lembrar
do último carnaval
éramos amantes
conjugamos mil verbos
usamos todos os infinitos
por isso choro
oceanos de dor
.
' na débil lembrança das marchas '
que vontade de partir
já não me encontro aqui
não me reconheço em corte algum
quantos versos hão de vir?
maldita inércia subversiva!
caio em cacos, me viro,
me mato e ressuscito
com a velha fotografia
de um desconhecido
lembro do tempo onde o sorriso
era permitido
lembro de tempos...
todos idos
já se foram
estou só.
.
.
> > > > > > > >
25 de abr. de 2009
DANÚBIOS

Danúbios
Thiers R> e Fabricio Queiroz
Pronuncias no ato
indigno percurso
que aterro
clamas por vermes
diariamente comido
sobressai'o Danúbio
doce paladar
vomit'ao' mar
como onda
oscilo
por isto enjôo
Baviera, Linz, Viena, Eslováquia
onde cantas agora
no azul entre'cortado
de minhas veias?
quantos sonhos submersos
bonecas afogadas
imponente segues pela história
de oeste a leste
sobressai'o Danúbio
no levante da cumeeira
na dança em suas esteiras
palhetas a te navegar
Budapeste, Sérvia, Romênia
sereno
do Delta te observo
danço sobre as lendas de Dracul
rio para as guerras de ontem
desnudo-me de braços abertos
para onde vão
minhas vestes de prata?
>>>
5 de abr. de 2009
SONATA DAS ROSAS AMARELAS

SONATA DAS ROSAS AMARELAS
Thiers R>
Rói o vento
sob as pálpebras
sentado à mesa o copo ordena:
escreva
escreva até desmaiar
na mão grita o absinto:
aguarda
bebamos inverdades
brindemos a descamação
trêmulo, respondo:
- não! hoje as rosas são amarelas
levantaram a cabeça
embriagadas pelo perfume
exalado d’os dedos teus
esbarro n’o suor que pinga
cercado por silêncios
o pianista toca sonata inaudível
pergunto seu nome
-“.. Dang Thai Son
resisti à guerra, sou vietnamita..”
concluo:
desejos comandam a vida
mesmo que a fuligem engasgue
também posso tossir
> > >
16 de fev. de 2009
__ Pálida voz dos sonhos__

Pálida voz dos sonhos
Thiers R > & Ivy Gomide
Pálida voz
traduz
redigida em
mio cuore
trazida pelo vento
letárgico
som q’inebria
sou um sonhador
mas não sou o único
Imagine
a perfeição dos instantes
jardins germinando
sem guerras
ou sangue
You may say I'm a dreamer,
but Im not the only one
deus é conceito
io amor
o sonho não acabou
poeta, sarjeta,
lua ou estrela
plantada na bala
dum chão red
que sobrou
vivo dreams
manchados
desejos encapsulados
poeira d’estação
que não estacionou
creiam-me
the dream
não se forjou
>>>
13 de fev. de 2009
MIKONOS

MIKONOS
Thiers R >
Cálido, quase luva
meia pluma
sem sis mos
naufragam dedos para disíacos
afundam pés
marcam pas SOS
ilha branca
és tu quem me tomas
consome a gota do sal
veste-me os braços
nos largos passos que bailam
íris esquizo-pecaminosa
abençoada por deuses
onde esguio penetra o mar
batalha sensual
Mikonos
no mergulho de teus olhos
passei’a boca de beijos
ociosa lágrima mergulha in poemas
sin tonia azul escreve
ir reverência
lambe nau frágios
a’casa’ lam línguas
>>>
17 de jan. de 2009
GANAS
21 de dez. de 2008
VERSOS QUE PERTENCEM AO AR

VERSOS QUE PERTENCEM AO AR
Thiers R >
Astuto, corto
verbos da garganta
descubro faces
mil faces inaudíveis
enrolo desejos
semi cobertos
tumu lar mente
cobiço
dúvida permanente
penumbra in consistente
resíduo de conceitos
pré conceitos
vem
rompe a casca e defeca
vem
corta a corrente do mal
dormência inerte
sangra pulsos
vem
in conveniente
molhada
coberta de libido
em curto circuito
ligo todas as tomadas
abro torneiras
busco- te aberta como flor do mal
a fome esmurra
o lampejo traduz-se
no lábio mordido
na boca seca
sangrando momento in vulgar
‘ sob versos que pertencem ao ar ’
>>>
28 de nov. de 2008
UM CONTO SEM HOFFMANN

Um conto sem Hoffmann
Thiers R>
A fome enevoava resquícios
verbo acrílico sem parâmetro
seguindo rastros
e Hoffmann?
tempos passaram e não eram verbos
eram tempos de algum pretérito
raiva escondida na esquina
apunhalava
roubava-me pedaços
de pão
era contida como
paralelepípedo ensangüentado
chovia fino
e pensamentos dançavam...
enlouqueci?
debaixo do temporal
pensei nos cachos de mademoiselle
a permear nuca branca e saliente
Abri a boca, lambi
precisava arder em sangue
precisava
queimar-me na lama
desta aventura
leva me, leva-me...
easy rider.
2008>
>>>
27 de nov. de 2008
INCÓLUME

Incólume
Thiers R>
Paredes e ouvidos
supostamente ocos
gritam a dedos desvalidos
aquela noite
ardia vermelha taça
na boca de teus seios
o cigarro parado queimava
enquanto veias entumesciam
era o maldito desejo a dizer:
quero-te!
quero-te no lençol sangrento
da noite infernal
quero queimar sem cinzas
abocanhar tua voz
na renda desenhada
de teu pensamento
perfurando histórias in contadas
e extrovertidas
as gargalhadas
quero-te na presença
do cheiro forte que exalas
quero-te mordendo
até que possas saborear
cerejas desfazendo-se
em roucas letras
ainda por se formar
somente porque
esvaziaste e consumiste
o gole fatal
sem entender o porque
estou limpo
lavado e barbeado
a espera de que algo aconteça
Thiers R>
Paredes e ouvidos
supostamente ocos
gritam a dedos desvalidos
aquela noite
ardia vermelha taça
na boca de teus seios
o cigarro parado queimava
enquanto veias entumesciam
era o maldito desejo a dizer:
quero-te!
quero-te no lençol sangrento
da noite infernal
quero queimar sem cinzas
abocanhar tua voz
na renda desenhada
de teu pensamento
perfurando histórias in contadas
e extrovertidas
as gargalhadas
quero-te na presença
do cheiro forte que exalas
quero-te mordendo
até que possas saborear
cerejas desfazendo-se
em roucas letras
ainda por se formar
somente porque
esvaziaste e consumiste
o gole fatal
sem entender o porque
estou limpo
lavado e barbeado
a espera de que algo aconteça
>>>
16 de nov. de 2008
Pas Sos musicaiS du Rouen

Pas Sos musicais du Rouen
Thiers R >
dorme Rouen
nos dedos do rio sena
nos telhados da Normandia
nas mãos agrestes do sim
peco desejos
mordo lábios
sorrio
em papéis espalhados
páginas folheadas
di’vidros partidos
dança a bailarina
corta os pés
diluo-me
na porta da chuva
a salpicar paredes
apertada sapatilha
pensav’assim
ruas de Rouen
calam-se, calam-se...
adormecem olhos
a música invade sentidos
abraço teu corpo
rodopio paisagens amarelas
escapadas das tardes
loucas histórias di’ passos
atormentam
pousei-a no bolso
gir’a chave
brancus lençóis
guardam-se nas sinfonias
o amor não tem medidas
deslizo sex’ofegante
nu som
perturbador dos prazeres
>>>
15 de out. de 2008
FLORES SUADAS DO INSTANTE

Flores suadas do instante
Thiers R >
como música
senti tuas mãos
em agreste toque
a penetrar a alma do estômago
traduzindo sons
sem luvas
sem luas
sem chegadas
no corpo de meu olhar
instalou-se o sopro
desta noite louca
impura
e transgressora
fertilizada no perfume
que me arrastou
dizia: ‘-não posso,
não posso...’
mas os passos de gazela
mordiam –me
desintegrei liricamente
incendiei integralmente
letras de um desejo
que riscavam a rosa
quase espinhos
quase pálida
quase sonho
oscilava a madrugada insone
de nossas bocas em transe hipnótico
suei flores
abri portas
em lago
desestabilizei
couraças de medo
no teu corpo
mordi a boca louca
do sim
>>>
8 de out. de 2008
UN COUER SUCRÉ

Un coeur sucré
Thiers R >
Desce lentamente
o jantar de teus dedos
analisando
onde é possível cortar
despetalando
única e tenra flor
surgida de nossos encontros
a lua sangra
um vermelho-terror
a porta se auto crucifica
eu e meu garfo
rompemos a carne maltratada
eu e meus sonhos
nos esfregamos na sarjeta
porque tu, vadia
roubaste minha decência
roubaste o que havia de puro
no coeur sucré
que te ofertei
quando se abriram
as comportas das
chuvas torrenciais
estava livre para doar
o melhor de moi
estava livre pra étreindre fleurs
que hoje murcharam
na porta fúnebre
que em mim reside.
>>>>>
6 de out. de 2008
CANÇÕES E LOUCURAS TECLADAS

CANÇÕES E LOUCURAS TECLADAS
Thiers R >
Disse a Blake
aterrisa homem
na porta louca
entra, digita
vagueia e enfurece
aterrisa
cruel a letra canta
em brisa brame
coalhada nos braços teus
destila agonia na cúpula celeste
ouve o tilintar das estrelas cadentes
martela desesperado teclado
vem, compõe outra canção louca
Aqui não faz frio é calor que sinto
entre suores pinga letra infame
pedindo sempre mais
um dedo, um copo
um não sei quê de desespero
um suspiro em retaguarda
uma loucura desmembrada
uivo que da caverna alucina horrores
grita à testa em dedos formatados
deste XP agora ativado
descobre a tumba acordada
outra louca canção digitada
control C
control V
entre logins e passwords
>>>
29 de set. de 2008
TECNO - CIMENTO
5 de ago. de 2008
TORMENTO E FUGACIDADE

Tormento e fugacidade
Thiers R > / Ivy Menon
Líquido bar de estrelas quentes
aspiro cores, cheiros...
a alça a escorregar
vem como canção espanhola
Zaragoza, Palma de Maiorca...
mordendo a boca
ela chega como castanhola
a renda a encaracolar
o olhar a ludibriar
atiça o olfato pega-me no ato.
rodopio em fogo de babado rubro
rasgo na faca a carne
sapateado, grito de olé
desafio que corta o ar
audácia amarga saliva
vício.
anjo que me deixa louco
fugaz tormento
dança luzes e cores
sedução de entrega, temores
bocas ávidas,
sussurros, conchas, coxas,
corpos suados
loucura no ar
deito areia
penetro estrelas
respingo gemidos
a cuspir letras luar.
>>>
26 de jul. de 2008
MEU CASO POÉTICO...

MEU CASO POÉTICO
Me pergunto eventualmente, juro eventualmente mesmo, porque normalmente eu não me pergunto, apenas faço. E faço bem feito. Internet é masculino ou feminino? Que dúvida atroz... Se ela ( a querida internet) é masculina estou perdido....serei gay? Por outro lado se for feminina sou um tarado...Que l o u c u r a!
To de caso, risos... paixão mesmo, uma paixão poética feita de letras, teclado, luas, luares e um inefável delírio.
Sim... eu deliro nas mansas noites de um inverno com prometidas. Afinal o delírio é meu e como já disse anteriormente: Eu me permito.
Ora se o delírio nasceu de meu cérebro desgovernado, se instalou-se ali entre duas têmporas formando lindas, saborosas e comíveis estrelas, concluímos que é meu.. sim, é meu.
Pois muito bem, certo dia comprei um desses aparelhos parecendo mala de executivo..risos...
Logo eu que ando de jeans rasgados, camisa amarrotada mostrando um peito( põe aí, nada de silicone falo de peito macho), que as mulheres querem apalpar.. hahaha!
Pois é girl eu comprei o treco pretinho, bonito e cheio de botões. Na minha fome intensa logo aprendi a me comunicar e comecei a escrever compulsivamente.
Jogo-me nas letras e se queres saber eu não penso muito porque ao pensar demais meus delírios se cotidianizam e perco todo o prazer poético.
Um prazer tem que ser degustado na pele como vinho em noites frias, no roçar de uma rosa, arranhando-se nos espinhos. Quando sangro, gozo.
O aparelhinho leva-me ao mundo; ao país da imaginação, ao transe. Se a aragem penetrar na alma, se o luar me olhar, se o cachorro uivar, juro leitor(a) eu me diluo no ar. Viro aragem, sou rosa, espinho e folhagens.
Quando torno-me folhagem, chego ao tudo do sim e concluo: os pensadores que não se entregaram aos sonhos, que só comeram espinhos que não arrancaram a pele, que apenas somaram misérias não conheceram o sabor pêssego–noite. Tenra noite de sarros, doces noites de orgias onde a palavra sonhada na boca internética faz-se vida.
Por isso digo: Eu tenho um caso poético, eu te achei aqui nesse transe maldito e te falo do quanto é gostoso penetrar tua alma; abraçar Baudelaire, sussurrar Rimbaud, sofrer Maiakovski, ou ler Augusto.
Claro, escravizar o leitor, porque eu ( boy ou girl), sou um escritor e delicio-me em fazer-te ler minhas loucas noites onde desabotôo o peito a dizer: vem, beija-me!
Thiers R >
> > > > > > > > > >
24 de jul. de 2008
AGONIA LETRADA
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