
Flores suadas do instante
Thiers R >
como música
senti tuas mãos
em agreste toque
a penetrar a alma do estômago
traduzindo sons
sem luvas
sem luas
sem chegadas
no corpo de meu olhar
instalou-se o sopro
desta noite louca
impura
e transgressora
fertilizada no perfume
que me arrastou
dizia: ‘-não posso,
não posso...’
mas os passos de gazela
mordiam –me
desintegrei liricamente
incendiei integralmente
letras de um desejo
que riscavam a rosa
quase espinhos
quase pálida
quase sonho
oscilava a madrugada insone
de nossas bocas em transe hipnótico
suei flores
abri portas
em lago
desestabilizei
couraças de medo
no teu corpo
mordi a boca louca
do sim
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