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16 de mar de 2017


                                                             @  mail pour vous’
                                                             Thiers R>




                                                   O áspero toque de meu pensamento
                                                   desenha tua boca
                                                   na parte rude
                                                   de meus dedos
                                                   sofre o olfato
                                                   aguardando o instante
                                                   momento singular 
                                                   enquanto me folheias
                                                   no cheiro deste encontro íntimo



                          ( @ MAIL  "POUR VOUS". Ed Big Time/Março /2017)
                          Este  é o 1º  poema de meu livro q  esta sendo lançado.

1 de set de 2016

ORA QUEM SOU...?

                                                       

ORA QUEM SOU...?
Thiers R>

sou o lixo que se veste de duque
distrai o povo
abstrai o tempo
inflama a garganta de poesia
cospe na palidez  dos sonhos
engasga no espinho da rosa
lateja como ferida 
e sorri  diante da insensatez
fossilizo-me na zona
página suja da vida
traço goles da calçada suja
sangro sacrilégios
incomodo  o brilho da lua
sem que o mundo perceba
o catarro  se esgarça
a chuva desova
dentro da lágrima que ocupei
  afinal: sou a tosse do que não desejas

<

29 de ago de 2016

SENTIDO TURBULÊNCIA






SENTIDO TURBULÊNCIA
Thiers R>


Diluí-se  o dia
na voz entorpecida das ruas
na  imensidão dos  porquês
sem motivo ou razão 
desobedeço

no canto  dos cisnes 
que brotam de  minha cabeça 
olhar semínima
como nota que  pousa avessa
penetra-me os poros
no  enlace do viés 
a noite se esgarça 
na imprudência do momento   
na viagem sideral 
desta espaçonave
estremeço ante a possibilidade
como luva
toco a boca
reajo ao instinto 
perdido por  entre letras
rompo fios eletrificados
na agulha que fere  meus dedos
vivo o imaginário
estremeço na turbulência  
e  avanço pedindo  mais


( In. Chovem as Luas de Paris – Ed Big Time/aôut-2015)

28 de ago de 2016

A’DOR’MECE




Atrás dos olhos
dorme 
belo luar 
abraça  rosas
canta
canções   de ninar
atrás dos  olhos
esvai-se a noite
rouca e louca 
atrás de meus pensamentos 
o acaso acorda
morde  a morte 
sangra  os sonhos
paralisa
no tenso grito
de Janis
o  rito
sob  lençóis
soluça
abraço um corpo 
meu corpo
posição fetal
rude’mente’ 
desloca-se a sinfonia
acalma a alma
 relaxa o instante
a’dor’mece

          ( In “Chovem as Luas de Paris”. Ed. Big Time – Agosto 2015)            

28 de jan de 2012

DETALHE ÍNFIMO






DETALHE ÍNFIMO
Thiers R >




Escolha as pedras para pisar


as razões delas nem sempre serão as tuas


escolha as pedras, elas podem queimar


arrancam peles


deixam rastros


atrás das portas vasculho hinos


“.. abre-se a vaga! ”




>

>

>

4 de dez de 2011

C’EST LA VIE





C’EST LA VIE
Thiers R>



Na soma dos acertos

sobra-me “um”

matemática infalível

resto de noite

jeans rasgado

barba por fazer

e o cheiro que me deixaste

a noite perdeu esquinas

os números são alegoria

gastamos horas

sob o som de estrelas desequilibradas

solfejo partículas

equação subdividida

“menos um

mais um”

é igual a este instante impreciso

hora de ir pra cama

não porque quero amar

hora de ir pra cama

agora te desejo menos

hora de ir pra cama

a manhã me acorda

hora de ir pra cama

o trabalho me espera

hora de ir pra cama

sob intensa interrogação (?)



>

22 de nov de 2011

POEMA +



POEMA +
Thiers R>




dedilham segredos

nos lábios que transgridem

sou fuligem

sombra, sinfonia e pecado

letra dispersa

corpo que acende

vulcão que expele

fração de ondas

música intocável

labirinto de orgasmo




na porta aberta

vivo outubros

encontro marcado, esperas

dos parêntesis sufocados

abri-me como pierot



a pausa me consome

delineio teu corpo

mordo a ponta dos dedos

pinga o sangue

inunda a alma



sou nó

broto no silêncio

roça o meu pensamento

na ação quase litúrgica,

faço-me teu



>

>

>

23 de jul de 2011

PARÁBOLA PARA AMY



Estava a pouco no facebook conversando com um companheiro de letras.
Falávamos do tempo travado, de como tenho me sentido preso e de como tenho escrito pouco. No meio do papo veio a notícia bomba: AMY WHINEHOUSE morreu!
Dramático, impactante, destrutivo e avassalador. Me veio à cabeça do pq as deusas se destroem, por que?
Lembrei-me que a menos de dois anos num certo dia chuvoso, ouvia Amy, lia notícias de suas atitudes e ao mesmo tempo comecei a escrever um poema. Lembrei-me do poema e fui buscá-lo em meus arquivos.
O que um dia foi apenas um poema, hoje é uma homenagem aquele ser tão talentoso que perdeu para a batalha chamada vida.
Estou realmente triste e deixo esta homenagem a deusa que se foi.

PARÁBOLA PARA AMY
Thiers R >




Corre na veia

droga e risca

penetra

chove

distorce

sou vinho e pó

veneno

dilato-me

escavo volúpia

aterro ferida

perco-me

sintetizo

química mente

sou fezes

merde

vapores

cheiros

música

amores

sou cool

also horrorres

sou som catado

no peito

sou traste

cravado na vida

triste agonia

ópio que dilata

mentira

cotidianos

vida inerte

mortalha

sou corte

que sangra e

teima em existir

sou Amy W.



> > > >

31 de mai de 2011

CÓDIGOS, no limiar de Fernando Pessoa



CÓDIGOS,
no limiar de Fernando Pessoa
Thiers R>




No encontro dos silêncios

vislumbram paisagens

sorriem os cantos da boca

parados em soluços

que sufocam

teus versos preenchem espaços

enquanto as horas perdem-se nas palavras

paredes brancas, movem-se

lá fora a noite gagueja

tão vasto é o instante

que ocupa

os segredos da alma.



2011 >




> > > >

23 de mai de 2011

pontos e linhas, sem razão




Arde a paisagem engolindo desejos

sem portas, perde-se a razão

brilha ao sol o que não queremos ver

Segue o mundo.

Onde estou? Onde estou?

Palavras, apenas palavras

diluem-se


Thiers R>

26 de set de 2010

Tempestade Al’ dente



Tempestade Al’ dente
Thiers R >



mistura de alho
al dente
morde
sabor úmido
resumo de rosas



abrem-se os espinhos
nos braços rasgados
traça a dor esculpida
a voz entre’cortada
escreve adágios



a’linha do raciocínio
chove torrencialmente
há pressa na esquina
trajeto do sangue
polui os passos
atípica veia
veste morno olhar.



> > > > >

NOSSA PELE



NOSSA PELE
Thiers R >


Aport’o templo amor

inexplicável física

retifica

indecifrável magia



conheço os silêncios pirilampos

na cavidade da lua

abrigo de ventos curvos

a germinar invernos.




>2010




> > > > >

15 de set de 2010

OBSCENA’MENTE



OBSCENA’MENTE
Thiers R >



Obsceno o pensamento atordoa

perde-se no espaço

lascívias, carícias..

obscenos, contraem-se os músculos

palavras não mais se completam

ardem esquinas, vaporizam-se

a linha de meu semblante estremece

quero-te na cama

no espelho que reflete

a alma infiel acometida de ti

por que abocanhas o prazer em circuitos?




> > > > >

15 de ago de 2010

ALGEMAS



ALGEMAS
Thiers R >




Agregam-se os sonhos trazidos na corrente
sou animal, bicho, saliva
na magnitude desta loucura que me atormenta
sou caça, carcaça
prazeres, sexo, loucura, devassidão
instrumento de tortura


Ferrara volta à minha cabeça..
bordados na renda do mar, castelos desmontam-se
para que servem se neste capítulo
sou apenas o vassalo, o ladrão?
pele estúpida que alimenta teu prazer
quando tuas vestes são de princesa
cabelos tingidos de vermelho, olhos, boca
e um perfume que entorpece
salivo sim, como não?
perco a razão, amaldiçoo todos os trajetos que me levaram a ti


Ferrara.. naquela praia o mar desenvolve a partitura
nem uma vírgula, nem um compasso
um resquício ou uma nota da sinfonia
que o mestre construiu
saístes do mar, a roupa colada ao corpo, a boca faminta
cheiravas à rosas vermelhas como teus cabelos


devoradora fome sensual
curvam ondas etéreas
pois fostes construída por minhas necessidades
amo-te sem precedentes
abri as portas
deixei que o vento entrasse e arrancasse
toda a vulnerabilidade deste encontro



août 2010>



> > >

2 de jul de 2010

PRAZER SEXO E CARNIÇA



PRAZER SEXO E CARNIÇA
Sob efeito de Baudelaire...
Thiers R >




Rugia o sol em meu rosto afagando com dedos arfantes
a manhã ainda tonta
deitados sob o luar bocejante (surreal sem dúvida!)
comentávamos o que acontecera
após a leitura de Baudelaire
por que a carniça teria mexido tão intimamente
ao ponto de vomitares leitoso lençol?
O cheiro abominável ardia em teu peito
eu o amaldiçoei por tê-lo trazido
para nossa cama
foi uma ação repugnante.

“... Zumbiam moscas sobre o ventre e em alvoroço, dali saiam negros bandos de larvas, a escorrer como um líquido grosso por entre esses trapos nefandos....”


Ah! Meu poeta
como conseguistes nos idos de 1800
transcrever passagens tão fantásticas?
genial!
o estômago frágil de Flávia
sucumbia às palavras; mas eu delirava
quanto mais lia, mais loucas ficaram
as travessuras na cama
eu assimilava a mistura dos prazeres
eu, o poeta e um corpo feminino em pleno transe
enquanto te lambia por inteiro
gemias, e no som de minha voz
Baudelaire dizia:

“... Dize à carne que se arruína, ao verme que te beija o rosto que preservei a forma e a substância divina...”

Gozei! gozei literária e fisicamente
eu era o verme que te beijava
acariciando tuas formas arredondadas
senti-me divino naquele instante
enquanto eu te gozava menina
teu estômago embrulhava
fazendo de nosso amor
uma porção erótica
de porra e vômito.



>>>>

2 de jun de 2010

CRUCI’FIXO



CRUCI’FIXO
(Absurdo diálogo de uma noite fria)
Thiers R >


Atrás das árvores
o corvo infame
remexia umbrais
a madrugada vadia
urdia em gritos fatais
assim ouvi os teus ais
suspiros d’angustia fina
febril lâmina de corte em riste
a escrivaninha, o pente, fios de cabelos soltos
a pena curvada n’alvura
branca e chorosa da paz
desencanta frente ao corvo
sentado no busto de Atena
olhava-te, nada mais
lá fora a ventania
buscava a chuva do dia trazida por temporais
o corvo d’olhar firme criava a atmosfera
na fenda da janela
fúnebre, como jamais
teu corpo vivo jazia na parede daquele dia
clamando por vermes banais
agourenta, a cena bebia
no meu temor sucumbia
por isto estremecia
ó mestre, a palavra tu me deste
mas esta ave
aberta em cruci’fixo
assombrava
a treva aparecia
vestida em roupa fina
uma ave de rapina
Allan Poe, desculpe-me
o clima, atormenta o poeta
de outros tempos
olhando a boca
pasmo
ainda ouço teus ais
vejo a treva
gemer gritos
perjúrios, olhares malditos
arrancar do frio inverno
todos os manuscritos
escravizado ao mito
sinto-me
quando te fito
lembro-me das tuas palavras
vestindo o roupão negro
encolho-me de medo
pálido, branco a repetir
no CD estes versos
assustadores que tais
n’ língua do demônio
sinto
isto não é sonho, é tormento
olhar o corvo preto
à sombra dos teus umbrais
em vestes transparentes
surgir com pés descalços
sob o chão do nada mais
murmurar por entre dentes
outra vez o
nunca mais



>

5 de mai de 2010

SOMaS



SOMaS
Thiers R >



Amanheceu assim
sem linha
sem decência
sem clemência
deitou-se em minhas mãos
s u s p i r a n d o ...
surrupiando meu olhar
desunindo incrédula aparência
ferroando a’legria
daquele dia
eu não sei se me fecho em com’portas
ou
se me abro em lou’cura
sei apenas
dos decágonos que somam





>

5 de abr de 2010

VESTÍGIOS & PAIXÕES




VESTÍGIOS&PAIXÕES
Thiers R >



o chão do tempo

vestia esperas diluindo azuis

resquícios qu’inda tenho à mão

perfume de boca colada

cigarro azedo

noite a zunir

evaporando novembros

pintados no teu olhar

o vento balanç’a saia

nela me visto

meias cobertas de negro

aquecem u’ vapor frio

vermelhas unhas riscam meu corpo

enquanto me entrego

enfraquecido de sorrisos

no fetiche esquálido e soturno

daquele inferninho

mordi teu pescoço

queria beber-te

fui teu em cada gole

em cada baforada

em cada corte

em cada mordida

suor duma noite que se perdia

dentro do amanhã

sopro a desmanchar máscaras

desfeitas no mijo da privada.




> > > > >

13 de mar de 2010

Витоша



Витоша
Thiers R>




Rio de pedra

olhar de fogo

luz de treva

desejo de gente

em tuas paredes brancas

abraço paixão

nu, este peito se entrega

verbaliza

das tuas coxas

a boca entreaberta flui

sou teu

em língua

em dissecação

as rosas

o perfume das rosas

embriagadas de cor

estas mesmas rosas

pétalas febris

a tocar

a ausência das flautas

dum romance inacabado

de todas as minhas dúvidas

sinto o frêmito que rodeia

negro mar que te busca




>2010




.

28 de fev de 2010

AUSCHWITZ’Z’Z’Z’Z



RESTOS DE ROUPAS, CABELOS E SAPATOS DO CAMPO DE AUSCHWITZ



AUSCHWITZ’Z’Z’Z’Z
Thiers R >





Defeca o nazismo

n’olho triste da agonia

mais uma flor abatida

mais um suspiro caído

“...o trabalho liberta....”

sangra o sonho entre ratos

“...o trabalho liberta..”

a tosse seca

o monóxido

o gaz

a fadiga

jaz o semblante

pousa a mosca e rouba

...mais um sorriso se perde..

“...o trabalho liberta...”

entre ossos

dorme o livro

poeira de sentimentos

vergonha de existência

farpa que arranha

penetra e inflama

instantes de felicidade..







> > > > > > > > > >

26 de fev de 2010

V E N E Z I E I

Eu mereço! Este foi meu primeiro pensamento ao sair do Brasil com alguns euros e um cartão VTM.
Fui buscar o mundo(ainda estou buscando pois que retorno dia 03/03/2010).




VENEZIEI
Thiers R >





Lentamente chorou o dia

luva branca de raízes profundas

lentamente

sorri farsante

n’alma aguda de meus desejos

nasce o mergulho das dores

saúvas e pensamentos

vai meu barco

pega teu sonho

perde o caminho

leva-me

o dia abriu-se

entrecortado

o mar retraiu

a linha d’aurora

brotou pálido cílio

penso:

a peste se foi

o silêncio guardou-se

fluí teu regaço

colei minha boca

engoli saliva

entreguei-me ao sonho

Veneziei



>> > > > > > > > >

29 de nov de 2009

RETICÊNCIAS

Thiers R>




Uma folha partida

uma canção permitida

uma dor

pensamentos

dúvidas

desejos

a voz

retém-se calada

aguarda

escurece

os’mistérios aumentam

sussurros

olhares

toques

absurda interrupção

penetr’a língua

passei’a nuca

respiração

pára o tempo coagulado n’ouvido

treme a garganta

mãos

já não sei o que fazer com elas

próximo ao teclado

reclamas

sem medo aperto

reticências......




>

CLIQUE NO TÍTULO: RETICÊNCIAS - PARA ASSISTIR O VÍDEO

19 de ago de 2009

SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO


SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO

Fabrício Queiroz e Thiers R >




Eu vejo esqueletos em fôrma de gente;

e Vejo, tão precisamente quanto a fome;

o pé de gangorra que martiriza o doente:

Não há sonetos que cantem à sua colheita.

Não há estrelas que presenciem a cena

desta tosse seca que sacode pulmões;

os olhos tristes são poços fundos

vazios, vazios, a pedir água:

pinga na testa a resposta esquartejada,

seca o sertão esturricado na mão.

Seca a nascente do rio em bolor,

a terra elimina seu último transpiro;

os gravetos varrem o chão

levantando uma poeira que demora a sentar:

espinhaço curvado ao chão,

boca vermelha do barro.

E a dor sempre a dor a cantar amassando o sangue que agora começa a pingar

Grita a voz escassa dentro do pau oco, gritam os dedos curvados a marejar o chão.






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11 de jul de 2009

LINHAS DE RACIOCÍNIO



LINHAS DE RACIOCÍNIO

Thiers R >




Antropofágica a utopia olha-me, agita as vestes,
exala channel e no salto vermelho de bico fino,


pisa-me. Nossa luta é corporal, nos mordemos.
Ela com suas verdades e eu com meus desejos.


Virulento o mundo pára.


Os relógios se esfaquearam sob esta hora imprecisa.
Com a palma da mão cortada, seguro o


tempo e digo: "- Utopia de ontem, eras somente um CD que se dizia novidade".


Afinal o tempo anda mais rápido do que nossos pensamentos.


Afagando a pele rosada, a superfície lisa, admirando o brilho do olhar,
penso: "- dentro de cada


invólucro, habitam essências, vozes dos pensamentos, dizeres que não se perdem.


Penso no mofo, na árvore partida, nas rachaduras do tempo. Penso no rádio, no


gramophone...penso.


"- Preciso cuidar-me, beber na fonte da sabedoria, acariciar meu ser."


Nas garras da utopia, unhas pintadas descascam e o tempo ri.....ri de gargalhar.


o tempo pinta quadros e eu leitor; rabisco estas linhas.





> > > > >

3 de jul de 2009

ISA GRIS



ISA GRIS
Thiers R >



in orange

abre u'dedo noturno

como canção

violeiro amigo

olha a paisagem gris

espia a barra da lua

cuspida do céu

onde o

amam

nhecer

sem conceder

atravessa garganta

coberta por versos.

> > > > > > >

29 de jun de 2009

ENTRE VERSOS, VERBOS E VERMES


ENTRE VERSOS, VERBOS E VERMES
Thiers R > & Max da Fonseca
.
.
Na faca abro caminho
corto a mata
eles gritam
mata!
de cima abaixo vem o corte
qua
se - ver tical
di-vi-di-do
lembro-me de Dylan
sim, o Thomas:
.
"...para os amantes seus braços
que enlaçam as dores do século..."
.
Com voz rouca grito
- fui consumido por vermes -
poderosos vermes do asfalto
desfaleço e procuro lembrar
do último carnaval
éramos amantes
conjugamos mil verbos
usamos todos os infinitos
por isso choro
oceanos de dor
.
' na débil lembrança das marchas '
que vontade de partir
já não me encontro aqui
não me reconheço em corte algum
quantos versos hão de vir?
maldita inércia subversiva!
caio em cacos, me viro,
me mato e ressuscito
com a velha fotografia
de um desconhecido
lembro do tempo onde o sorriso
era permitido
lembro de tempos...
todos idos
já se foram
estou só.
.
.
> > > > > > > >

25 de abr de 2009

DANÚBIOS


Danúbios
Thiers R> e Fabricio Queiroz

Pronuncias no ato
indigno percurso
que aterro


clamas por vermes
diariamente comido
sobressai'o Danúbio
doce paladar
vomit'ao' mar
como onda
oscilo


por isto enjôo
Baviera, Linz, Viena, Eslováquia
onde cantas agora
no azul entre'cortado
de minhas veias?
quantos sonhos submersos
bonecas afogadas
imponente segues pela história


de oeste a leste
sobressai'o Danúbio
no levante da cumeeira


na dança em suas esteiras
palhetas a te navegar
Budapeste, Sérvia, Romênia
sereno
do Delta te observo
danço sobre as lendas de Dracul
rio para as guerras de ontem
desnudo-me de braços abertos
para onde vão
minhas vestes de prata?



>>>

4 de abr de 2009

SONATA DAS ROSAS AMARELAS




SONATA DAS ROSAS AMARELAS
Thiers R>



Rói o vento



sob as pálpebras


sentado à mesa o copo ordena:


escreva


escreva até desmaiar


na mão grita o absinto:


aguarda


bebamos inverdades


brindemos a descamação


trêmulo, respondo:


- não! hoje as rosas são amarelas


levantaram a cabeça


embriagadas pelo perfume


exalado d’os dedos teus


esbarro n’o suor que pinga


cercado por silêncios


o pianista toca sonata inaudível


pergunto seu nome


-“.. Dang Thai Son


resisti à guerra, sou vietnamita..”


concluo:


desejos comandam a vida


mesmo que a fuligem engasgue


também posso tossir




> > >

15 de fev de 2009

__ Pálida voz dos sonhos__




Pálida voz dos sonhos
Thiers R > & Ivy Gomide


Pálida voz

traduz

redigida em

mio cuore

trazida pelo vento

letárgico

som q’inebria



sou um sonhador

mas não sou o único



Imagine

a perfeição dos instantes

jardins germinando

sem guerras

ou sangue



You may say I'm a dreamer,

but Im not the only one



deus é conceito

io amor

o sonho não acabou

poeta, sarjeta,

lua ou estrela

plantada na bala

dum chão red

que sobrou

vivo dreams

manchados

desejos encapsulados

poeira d’estação

que não estacionou

creiam-me

the dream

não se forjou



>>>