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27 de nov de 2008

UM CONTO SEM HOFFMANN


Um conto sem Hoffmann
Thiers R>



A fome enevoava resquícios
verbo acrílico sem parâmetro
seguindo rastros
e Hoffmann?
tempos passaram e não eram verbos
eram tempos de algum pretérito
raiva escondida na esquina
apunhalava
roubava-me pedaços
de pão
era contida como
paralelepípedo ensangüentado
chovia fino
e pensamentos dançavam...
enlouqueci?
debaixo do temporal
pensei nos cachos de mademoiselle
a permear nuca branca e saliente
Abri a boca, lambi
precisava arder em sangue
precisava
queimar-me na lama
desta aventura
leva me, leva-me...
easy rider.

2008>


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INCÓLUME



Incólume
Thiers R>


Paredes e ouvidos
supostamente ocos
gritam a dedos desvalidos
aquela noite
ardia vermelha taça
na boca de teus seios
o cigarro parado queimava
enquanto veias entumesciam
era o maldito desejo a dizer:
quero-te!
quero-te no lençol sangrento
da noite infernal
quero queimar sem cinzas
abocanhar tua voz
na renda desenhada
de teu pensamento
perfurando histórias in contadas
e extrovertidas
as gargalhadas
quero-te na presença
do cheiro forte que exalas
quero-te mordendo
até que possas saborear
cerejas desfazendo-se
em roucas letras
ainda por se formar
somente porque
esvaziaste e consumiste
o gole fatal
sem entender o porque
estou limpo
lavado e barbeado
a espera de que algo aconteça
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16 de nov de 2008

Pas Sos musicaiS du Rouen


Pas Sos musicais du Rouen
Thiers R >



dorme Rouen
nos dedos do rio sena
nos telhados da Normandia
nas mãos agrestes do sim
peco desejos
mordo lábios
sorrio
em papéis espalhados
páginas folheadas
di’vidros partidos
dança a bailarina
corta os pés
diluo-me
na porta da chuva
a salpicar paredes
apertada sapatilha
pensav’assim
ruas de Rouen
calam-se, calam-se...
adormecem olhos
a música invade sentidos
abraço teu corpo
rodopio paisagens amarelas
escapadas das tardes
loucas histórias di’ passos
atormentam
pousei-a no bolso
gir’a chave
brancus lençóis
guardam-se nas sinfonias
o amor não tem medidas
deslizo sex’ofegante
nu som
perturbador dos prazeres



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