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19 de ago de 2009

SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO


SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO

Fabrício Queiroz e Thiers R >




Eu vejo esqueletos em fôrma de gente;

e Vejo, tão precisamente quanto a fome;

o pé de gangorra que martiriza o doente:

Não há sonetos que cantem à sua colheita.

Não há estrelas que presenciem a cena

desta tosse seca que sacode pulmões;

os olhos tristes são poços fundos

vazios, vazios, a pedir água:

pinga na testa a resposta esquartejada,

seca o sertão esturricado na mão.

Seca a nascente do rio em bolor,

a terra elimina seu último transpiro;

os gravetos varrem o chão

levantando uma poeira que demora a sentar:

espinhaço curvado ao chão,

boca vermelha do barro.

E a dor sempre a dor a cantar amassando o sangue que agora começa a pingar

Grita a voz escassa dentro do pau oco, gritam os dedos curvados a marejar o chão.






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2 comentários:

Fabrício disse...

"E olha que o sertão é o mundo"

Havia postado o poema pelo meu blog também "véio".

Espero que o povo goste... se não gostar, ao menos eu gostei de escrever.



abs;
Fabrício

Caio Tadeu de Moraes disse...

A escassez apocalíptica de recursos hídricos que assola as terras nordestinas, o Holocausto ao vivo que revive dia após dia uma das mais destrutivas pragas já vistas pela humanidade: a seca. A mesmo catástrofe inspirou (melhor dizendo, revoltou) o poeta João Cabral de Melo na confecção de Morte e Vida Severina, obra obrigatório para vestibulandos, deixando marcas eternas na literatura brasileira. Outro ótimo romance (que nunca tive paciência de ler, mas já vi o teatrinho) é Vidas Secas, de Graciliano Ramos (vai cair no ENEM, fuckup! \o/), que mostra de modo cru a dor desses pobres desgarrados. Tais fatores indicam que a literatura vai além de baboseiras sobre como ficar anoréxico (“a”, na verdade) e fofoca da vida bizarra dos artistas, é um instrumento, melhor dizendo, uma arma para combater as injúrias que se estalaram nesse planeta. É a poesia em prol de um mundo melhor...


Grand Thiers, metendo a língua laminada no mundo e jogando trapos sujos fora de moda para ele vestir...