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27 de dez de 2007

Infame Realidade



Infame Realidade

Eles dormiram
e deram-me o silêncio,
amigo das horas,
dos dedos,
dos pensamentos.
O vento acompanha palavras
que descem esquinas
à procura de movimento.
Brutal tiro atinge-me o peito,
guardo a bala
(quem sabe sinta desejos por algo doce
nesta noite uniforme?)
Arrasto pés cansados
atravesso ruas e
avenidas olhando povo.
Queria xingar, gastar palavras...
Estou só( por escolha),
cansei de inutilidades.
Acompanho o trajeto da flor a
procura dum peito pra deitar-se
- dorme flor, no peito da moça verde alface –
Penso-a! Penetro mãos
na saia azul-mar-rindo
Vem a primeira gargalhada
É macia e sedosa,
em transe toco a flor vermelha.
Sobe-me o tesão.
Recolho pensamentos.
Guardo-os no paletó
onde estão as estrelas sonoros
da noite anterior.
Abraço-as como canção,
ardiloso pensamento,
infame realidade.

ThiersR>
>2007

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