4 de dez. de 2022
18 de mai. de 2022
Acidez impura
Ácida
queima garganta
impura, destila
corre
a veia
fermenta
o fel
amargo
corrói
e borbulha
porra!
ácido
veneno
arranca
arranha
e risca
rosas
e margaridas
penetra
fuligem na alma
contamina
fulmina
in tranquila
ferve
a rua
atira,
mata!
rosa
minha rosa
arrancada
do jardim
choram-me
os dedos
espinho
saqueado da alma
("In Veneno Corrosivo"/2013/Ed Big Time)
26 de jan. de 2022
Rosas assistidas
Thiers R>
Dormi rosas assistidas
sonhei
>>
10 de set. de 2019
@ mail para MAIAKOVSKY
1 de set. de 2019
@ mail aos Pyrénées
17 de mar. de 2017
@ mail pour vous’
2 de set. de 2016
ORA QUEM SOU...?
<
30 de ago. de 2016
SENTIDO TURBULÊNCIA
28 de ago. de 2016
A’DOR’MECE
29 de jan. de 2012
DETALHE ÍNFIMO
5 de dez. de 2011
C’EST LA VIE

C’EST LA VIE
Thiers R>
Na soma dos acertos
sobra-me “um”
matemática infalível
resto de noite
jeans rasgado
barba por fazer
e o cheiro que me deixaste
a noite perdeu esquinas
os números são alegoria
gastamos horas
sob o som de estrelas desequilibradas
solfejo partículas
equação subdividida
“menos um
mais um”
é igual a este instante impreciso
hora de ir pra cama
não porque quero amar
hora de ir pra cama
agora te desejo menos
hora de ir pra cama
a manhã me acorda
hora de ir pra cama
o trabalho me espera
hora de ir pra cama
sob intensa interrogação (?)
>
23 de nov. de 2011
POEMA +

POEMA +
Thiers R>
dedilham segredos
nos lábios que transgridem
sou fuligem
sombra, sinfonia e pecado
letra dispersa
corpo que acende
vulcão que expele
fração de ondas
música intocável
labirinto de orgasmo
na porta aberta
vivo outubros
encontro marcado, esperas
dos parêntesis sufocados
abri-me como pierot
a pausa me consome
delineio teu corpo
mordo a ponta dos dedos
pinga o sangue
inunda a alma
sou nó
broto no silêncio
roça o meu pensamento
na ação quase litúrgica,
faço-me teu
>
>
>
23 de jul. de 2011
PARÁBOLA PARA AMY

Estava a pouco no facebook conversando com um companheiro de letras.
Falávamos do tempo travado, de como tenho me sentido preso e de como tenho escrito pouco. No meio do papo veio a notícia bomba: AMY WHINEHOUSE morreu!
Dramático, impactante, destrutivo e avassalador. Me veio à cabeça do pq as deusas se destroem, por que?
Lembrei-me que a menos de dois anos num certo dia chuvoso, ouvia Amy, lia notícias de suas atitudes e ao mesmo tempo comecei a escrever um poema. Lembrei-me do poema e fui buscá-lo em meus arquivos.
O que um dia foi apenas um poema, hoje é uma homenagem aquele ser tão talentoso que perdeu para a batalha chamada vida.
Estou realmente triste e deixo esta homenagem a deusa que se foi.
PARÁBOLA PARA AMY
Thiers R >
Corre na veia
droga e risca
penetra
chove
distorce
sou vinho e pó
veneno
dilato-me
escavo volúpia
aterro ferida
perco-me
sintetizo
química mente
sou fezes
merde
vapores
cheiros
música
amores
sou cool
also horrorres
sou som catado
no peito
sou traste
cravado na vida
triste agonia
ópio que dilata
mentira
cotidianos
vida inerte
mortalha
sou corte
que sangra e
teima em existir
sou Amy W.
> > > >
31 de mai. de 2011
CÓDIGOS, no limiar de Fernando Pessoa

CÓDIGOS,
no limiar de Fernando Pessoa
Thiers R>
No encontro dos silêncios
vislumbram paisagens
sorriem os cantos da boca
parados em soluços
que sufocam
teus versos preenchem espaços
enquanto as horas perdem-se nas palavras
paredes brancas, movem-se
lá fora a noite gagueja
tão vasto é o instante
que ocupa
os segredos da alma.
2011 >
> > > >
23 de mai. de 2011
pontos e linhas, sem razão
26 de set. de 2010
Tempestade Al’ dente

Tempestade Al’ dente
Thiers R >
mistura de alho
al dente
morde
sabor úmido
resumo de rosas
abrem-se os espinhos
nos braços rasgados
traça a dor esculpida
a voz entre’cortada
escreve adágios
a’linha do raciocínio
chove torrencialmente
há pressa na esquina
trajeto do sangue
polui os passos
atípica veia
veste morno olhar.
> > > > >
NOSSA PELE
16 de set. de 2010
OBSCENA’MENTE

OBSCENA’MENTE
Thiers R >
Obsceno o pensamento atordoa
perde-se no espaço
lascívias, carícias..
obscenos, contraem-se os músculos
palavras não mais se completam
ardem esquinas, vaporizam-se
a linha de meu semblante estremece
quero-te na cama
no espelho que reflete
a alma infiel acometida de ti
por que abocanhas o prazer em circuitos?
> > > > >
22 de ago. de 2010
15 de ago. de 2010
ALGEMAS

ALGEMAS
Thiers R >
Agregam-se os sonhos trazidos na corrente
sou animal, bicho, saliva
na magnitude desta loucura que me atormenta
sou caça, carcaça
prazeres, sexo, loucura, devassidão
instrumento de tortura
Ferrara volta à minha cabeça..
bordados na renda do mar, castelos desmontam-se
para que servem se neste capítulo
sou apenas o vassalo, o ladrão?
pele estúpida que alimenta teu prazer
quando tuas vestes são de princesa
cabelos tingidos de vermelho, olhos, boca
e um perfume que entorpece
salivo sim, como não?
perco a razão, amaldiçoo todos os trajetos que me levaram a ti
Ferrara.. naquela praia o mar desenvolve a partitura
nem uma vírgula, nem um compasso
um resquício ou uma nota da sinfonia
que o mestre construiu
saístes do mar, a roupa colada ao corpo, a boca faminta
cheiravas à rosas vermelhas como teus cabelos
devoradora fome sensual
curvam ondas etéreas
pois fostes construída por minhas necessidades
amo-te sem precedentes
abri as portas
deixei que o vento entrasse e arrancasse
toda a vulnerabilidade deste encontro
août 2010>
> > >
3 de jul. de 2010
PRAZER SEXO E CARNIÇA

PRAZER SEXO E CARNIÇA
Sob efeito de Baudelaire...
Thiers R >
Rugia o sol em meu rosto afagando com dedos arfantes
a manhã ainda tonta
deitados sob o luar bocejante (surreal sem dúvida!)
comentávamos o que acontecera
após a leitura de Baudelaire
por que a carniça teria mexido tão intimamente
ao ponto de vomitares leitoso lençol?
O cheiro abominável ardia em teu peito
eu o amaldiçoei por tê-lo trazido
para nossa cama
foi uma ação repugnante.
“... Zumbiam moscas sobre o ventre e em alvoroço, dali saiam negros bandos de larvas, a escorrer como um líquido grosso por entre esses trapos nefandos....”
Ah! Meu poeta
como conseguistes nos idos de 1800
transcrever passagens tão fantásticas?
genial!
o estômago frágil de Flávia
sucumbia às palavras; mas eu delirava
quanto mais lia, mais loucas ficaram
as travessuras na cama
eu assimilava a mistura dos prazeres
eu, o poeta e um corpo feminino em pleno transe
enquanto te lambia por inteiro
gemias, e no som de minha voz
Baudelaire dizia:
“... Dize à carne que se arruína, ao verme que te beija o rosto que preservei a forma e a substância divina...”
Gozei! gozei literária e fisicamente
eu era o verme que te beijava
acariciando tuas formas arredondadas
senti-me divino naquele instante
enquanto eu te gozava menina
teu estômago embrulhava
fazendo de nosso amor
uma porção erótica
de porra e vômito.
>>>>
3 de jun. de 2010
CRUCI’FIXO

CRUCI’FIXO
(Absurdo diálogo de uma noite fria)
Thiers R >
Atrás das árvores
o corvo infame
remexia umbrais
a madrugada vadia
urdia em gritos fatais
assim ouvi os teus ais
suspiros d’angustia fina
febril lâmina de corte em riste
a escrivaninha, o pente, fios de cabelos soltos
a pena curvada n’alvura
branca e chorosa da paz
desencanta frente ao corvo
sentado no busto de Atena
olhava-te, nada mais
lá fora a ventania
buscava a chuva do dia trazida por temporais
o corvo d’olhar firme criava a atmosfera
na fenda da janela
fúnebre, como jamais
teu corpo vivo jazia na parede daquele dia
clamando por vermes banais
agourenta, a cena bebia
no meu temor sucumbia
por isto estremecia
ó mestre, a palavra tu me deste
mas esta ave
aberta em cruci’fixo
assombrava
a treva aparecia
vestida em roupa fina
uma ave de rapina
Allan Poe, desculpe-me
o clima, atormenta o poeta
de outros tempos
olhando a boca
pasmo
ainda ouço teus ais
vejo a treva
gemer gritos
perjúrios, olhares malditos
arrancar do frio inverno
todos os manuscritos
escravizado ao mito
sinto-me
quando te fito
lembro-me das tuas palavras
vestindo o roupão negro
encolho-me de medo
pálido, branco a repetir
no CD estes versos
assustadores que tais
n’ língua do demônio
sinto
isto não é sonho, é tormento
olhar o corvo preto
à sombra dos teus umbrais
em vestes transparentes
surgir com pés descalços
sob o chão do nada mais
murmurar por entre dentes
outra vez o
nunca mais
>
5 de mai. de 2010
SOMaS
5 de abr. de 2010
VESTÍGIOS & PAIXÕES
.jpg)
VESTÍGIOS&PAIXÕES
Thiers R >
o chão do tempo
vestia esperas diluindo azuis
resquícios qu’inda tenho à mão
perfume de boca colada
cigarro azedo
noite a zunir
evaporando novembros
pintados no teu olhar
o vento balanç’a saia
nela me visto
meias cobertas de negro
aquecem u’ vapor frio
vermelhas unhas riscam meu corpo
enquanto me entrego
enfraquecido de sorrisos
no fetiche esquálido e soturno
daquele inferninho
mordi teu pescoço
queria beber-te
fui teu em cada gole
em cada baforada
em cada corte
em cada mordida
suor duma noite que se perdia
dentro do amanhã
sopro a desmanchar máscaras
desfeitas no mijo da privada.
> > > > >
13 de mar. de 2010
Витоша

Витоша
Thiers R>
Rio de pedra
olhar de fogo
luz de treva
desejo de gente
em tuas paredes brancas
abraço paixão
nu, este peito se entrega
verbaliza
das tuas coxas
a boca entreaberta flui
sou teu
em língua
em dissecação
as rosas
o perfume das rosas
embriagadas de cor
estas mesmas rosas
pétalas febris
a tocar
a ausência das flautas
dum romance inacabado
de todas as minhas dúvidas
sinto o frêmito que rodeia
negro mar que te busca
>2010
.
1 de mar. de 2010
AUSCHWITZ’Z’Z’Z’Z
RESTOS DE ROUPAS, CABELOS E SAPATOS DO CAMPO DE AUSCHWITZ
AUSCHWITZ’Z’Z’Z’Z
Thiers R >
Defeca o nazismo
n’olho triste da agonia
mais uma flor abatida
mais um suspiro caído
“...o trabalho liberta....”
sangra o sonho entre ratos
“...o trabalho liberta..”
a tosse seca
o monóxido
o gaz
a fadiga
jaz o semblante
pousa a mosca e rouba
...mais um sorriso se perde..
“...o trabalho liberta...”
entre ossos
dorme o livro
poeira de sentimentos
vergonha de existência
farpa que arranha
penetra e inflama
instantes de felicidade..
> > > > > > > > > >
27 de fev. de 2010
V E N E Z I E I
Fui buscar o mundo(ainda estou buscando pois que retorno dia 03/03/2010).
VENEZIEI
Thiers R >
Lentamente chorou o dia
luva branca de raízes profundas
lentamente
sorri farsante
n’alma aguda de meus desejos
nasce o mergulho das dores
saúvas e pensamentos
vai meu barco
pega teu sonho
perde o caminho
leva-me
o dia abriu-se
entrecortado
o mar retraiu
a linha d’aurora
brotou pálido cílio
penso:
a peste se foi
o silêncio guardou-se
fluí teu regaço
colei minha boca
engoli saliva
entreguei-me ao sonho
Veneziei
>> > > > > > > > >
29 de nov. de 2009
RETICÊNCIAS
Uma folha partida
uma canção permitida
uma dor
pensamentos
dúvidas
desejos
a voz
retém-se calada
aguarda
escurece
os’mistérios aumentam
sussurros
olhares
toques
absurda interrupção
penetr’a língua
passei’a nuca
respiração
pára o tempo coagulado n’ouvido
treme a garganta
mãos
já não sei o que fazer com elas
próximo ao teclado
reclamas
sem medo aperto
reticências......
>
CLIQUE NO TÍTULO: RETICÊNCIAS - PARA ASSISTIR O VÍDEO
20 de ago. de 2009
SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO

SOB SOMBRAS CURVADAS NO CHÃO
Fabrício Queiroz e Thiers R >
Eu vejo esqueletos em fôrma de gente;
e Vejo, tão precisamente quanto a fome;
o pé de gangorra que martiriza o doente:
Não há sonetos que cantem à sua colheita.
Não há estrelas que presenciem a cena
desta tosse seca que sacode pulmões;
os olhos tristes são poços fundos
vazios, vazios, a pedir água:
pinga na testa a resposta esquartejada,
seca o sertão esturricado na mão.
Seca a nascente do rio em bolor,
a terra elimina seu último transpiro;
os gravetos varrem o chão
levantando uma poeira que demora a sentar:
espinhaço curvado ao chão,
boca vermelha do barro.
E a dor sempre a dor a cantar amassando o sangue que agora começa a pingar
Grita a voz escassa dentro do pau oco, gritam os dedos curvados a marejar o chão.
> > > > > > > >
11 de jul. de 2009
LINHAS DE RACIOCÍNIO









